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Falência hídrica: quando a escassez deixa de ser temporária e se torna estrutural

[PT-BR]

Em meio às consequências das mudanças climáticas, entramos em uma era de “falência hídrica”, pois a utilização intensiva de água doce está fazendo com que muitas regiões se tornem incapazes de se recuperar da frequente escassez. 

Cerca de 4 bilhões de pessoas vivem, por pelo menos um mês ao ano, sob condições severas de falta de água, sem o suficiente para atender às suas necessidades. Essa falência não é apenas uma metáfora para o déficit hídrico, é uma condição crônica que se desenvolve quando um local utiliza mais água do que a natureza pode oferecer, enquanto os danos aos ativos naturais, responsáveis por armazenar e filtrar esse recurso, tornam-se cada vez mais difíceis de reverter.

Um novo estudo conduzido por Kaveh Madani, em parceria com o Instituto da Universidade das Nações Unidas para a Água, o Meio Ambiente e a Saúde, conclui que o mundo já ultrapassou o estágio de crises hídricas temporárias. Muitos sistemas não são mais capazes de retornar às suas condições naturais, caracterizando um estado de falência hídrica cujas consequências já começam a se intensificar. 

Entre os sinais mais evidentes estão a necessidade de perfuração de poços cada vez mais profundos, a transição de rios perenes para regimes sazonais, a intrusão de água salgada em aquíferos, o prolongamento das secas e a redução da qualidade da água.

Apesar desse cenário, muitos países continuam ampliando a retirada de água para sustentar a expansão urbana, a atividade agrícola e outras demandas. Nem todas as bacias hidrográficas e regiões estão em estado de falência hídrica, mas, quando esse processo se instala em uma área, tende a gerar efeitos em cadeia, aumentando a pressão sobre sistemas vizinhos e intensificando tensões locais e até internacionais.

Diante desse contexto, especialistas reforçam que a solução passa não apenas por ampliar a oferta, mas principalmente por melhorar a eficiência dos sistemas existentes. Nos grandes centros consumidores, isso significa investir em infraestrutura e em materiais com menor probabilidade de vazamento. 

Tecnologias não destrutivas (MND), promovidas pela ABRATT, têm papel estratégico nesse processo, pois viabilizam a substituição de redes e ramais sem grandes intervenções urbanas, além de permitir o uso de tubulações que possibilitam soldagem, garantindo maior estanqueidade.

Como destaca Hélio, “não conseguimos buscar água cada vez mais longe, pois muitos dos mananciais disponíveis já estão com o limite de extração ultrapassado. A questão central é a redução de perdas”. Nesse sentido, a substituição de redes por materiais como o polietileno, associada a técnicas de soldagem, torna-se fundamental. “Não adianta aumentar a captação sem reduzir perdas”, reforça.

Entre as possíveis soluções estruturais, destacam-se o estabelecimento de limites de uso da água baseados na disponibilidade real, a proteção de zonas úmidas, o gerenciamento da demanda e a necessidade de abandonar referências ultrapassadas, adaptando a gestão hídrica às condições atuais.

[EN]

Water bankruptcy: when scarcity becomes structural

Amid the impacts of climate change, the world is entering an era of “water bankruptcy,” as the intensive use of freshwater is making many regions unable to recover from recurring scarcity. 

Around 4 billion people experience severe water shortages for at least one month each year, without sufficient resources to meet their needs. This condition is not merely a metaphor for water deficit, it is a chronic state that develops when a region uses more water than nature can provide, while the damage to natural assets responsible for storing and filtering water becomes increasingly difficult to reverse.

A new study led by Kaveh Madani, in collaboration with the United Nations University Institute for Water, Environment and Health, concludes that the world has moved beyond temporary water crises. Many systems are no longer capable of returning to their natural conditions, characterizing a state of water bankruptcy whose consequences are already becoming more evident. Among the most visible signs are the need for increasingly deeper wells, rivers shifting from perennial to seasonal flows, saltwater intrusion into aquifers, prolonged droughts, and declining water quality.

Despite this scenario, many countries continue to increase water withdrawals to support urban expansion, agriculture, and other demands. Not all watersheds and regions are in a state of water bankruptcy, but when this condition emerges in a specific area, it tends to create cascading effects, increasing pressure on neighboring systems and intensifying local and even international tensions.

In this context, experts emphasize that the solution lies not only in increasing supply, but primarily in improving the efficiency of existing systems. In major urban centers, this means investing in infrastructure and in materials with a lower likelihood of leakage. Trenchless technologies, promoted by ABRATT, play a strategic role in this process, as they enable the replacement of networks and service connections without major urban disruption, while also allowing the use of pipes that can be welded, ensuring greater tightness and system integrity.

As highlighted by Hélio, “we can no longer rely on sourcing water from increasingly distant locations, as many available sources have already exceeded their extraction limits. The central issue is reducing losses.” In this sense, replacing networks with materials such as polyethylene, combined with welding techniques, becomes essential. “There is no point in increasing water intake without reducing losses,” he reinforces.

Among the possible structural solutions are setting water use limits based on actual availability, protecting wetlands, managing demand, and abandoning outdated benchmarks in favor of approaches that reflect current realities.

English version: